segunda-feira, 12 de setembro de 2011

8th Day in NY - 09/11

Todos estão esperando ler como foi o meu 09/11 aqui em Manhattan, e tenho que dizer que vou desapontá-los. Mas isso é ótimo! Em minha busca interior aqui na cidade, aprender a desapontar as pessoas e ficar bem com isso, é certamente uma das lições mais importantes.

Hoje havia sido agendada uma atividade da escola para conhecer uma ilha aqui perto, Staten Island, onde existe a primeira casa americana e outras tantas do século XVII, e ainda, uma casa projetada pelo Frank Loyd Whright (pra quem não sabe, é o arquiteto que fez a Casa da Cascata, a mais famosa dele, e o Guggenheim Museum, aqui de NY).

Pensei em deixar de ir na visita e ir até o Ground Zero ver as homenagens, mas depois refleti sobre o porque de fazer esta troca. Aquele momento, mesmo que histórico, é muito mais das famílias que perderam pessoas queridas do que meu. Não vi sentido em ser turista ali. Era como se invadisse a intimidade deles. Ter ido um dia antes, e certamente dias depois (que ainda irei) e estar aqui nesta data, talvez já seja o mais "próximo" que eu prefira chegar.

Então, lá fui eu para o encontro marcado na Grand Central Station, com minha mochilinha, meu lanche e minha câmera. A Grand Central Station é um prédio muito bonito e muito antigo aqui de NY. É de lá que partem a maior parte dos trens que vem de fora da ilha, portanto, hoje era bem tenso estar ali! A estação estava muito policiada (polícia civil, exercito, policia especializada...) e o clima não era dos melhores, mas deu tudo certo.

Pra chegar em Staten Island é preciso pegar o metrô, o Ferry (barca), e para as casas, mais uns 20 minutos de ônibus. O grupo era formado por alunos de várias turmas, sendo: eu, Martina (arquiteta de Milão de 20 anos), Beatriz (paulista de 19 anos), Juan Carlos (arquiteto de Madri), Mauricio (pintor paulista, de Santos, de 33 anos), outro italiano doidinho (historiador) que não lembro o nome, uma japonesa e dois coreanos.

A visita nas casas foi incrível. A maneira como elas são dispostas na ilha, com a grande construção central, onde era o "governo" da época, uma mercearia ao lado, um bar com dança na frente e as demais casas (ricas e pobres), cada uma com suas caracteristicas, dependendo do que o fazendeiro plantava. Demais! Não dá pra contar tudo, mas uma curiosidade eu preciso contar. A Casa que funcionava como a taberna, tinha uma salão com várias mesas de madeira, réplicas das originais, uma lareira central pros dias de frio, e no canto da sala um pequeno balcão, onde eram servidas as bebidas. Em cima do balcão existia uma janela tipo guilhotina, de cada lado, formando um L, formada por ripas verticais de madeira, ou barras, em inglês bars. Quando todos já estavam bêbados, começavam as brigas, e atiravam as canecas e garrafas para cima da pessoa que estava no balcão, então ele fechava rapidamente e ficava atrás protegido. Por isso os estabelecimento que vendem bebidas passaram a se chamar BARS. Hahahhahahahahahaha. Ah, sério! Eu adorei! Cultura inútil da melhor categoria! Hahahahhaha.

Depois passeamos nas demais casas da ilha, atuais mansões daqui, todas de madeira e visual bem duvidoso, bem no estilo americano de ser. Até que eis que surge uma casa diferente de todas elas, e claro, só podia ser a projetada pelo Frank (hahahahha). Um pavimento, grandes planos, integrada com a natureza, pedra, alumínio, vidro. Então a visita estava perfeita!

Mesmo fora de Manhattan o 09/11 não deixou de ser um dia anormal. Além dos milhares de helicópteros sobrevoando a cidade toda (principalmente em Manhattan), o tempo inteiro, Staten Island estava vazia. A não ser por uma típica festa infantil de jardim, com direito a pônei e tudo, vimos pouquissimas pessoas pelas ruas, e disseram não ser nada normal, principalmente para um domingo. Talvez as pessoas estivessem dentro de casa, rezando. Talvez estivessem em Manhattan.

Cheguei tarde de volta, a tempo apenas para um banho, roupa nova e voltar para Midtown para encontrar com meus mais novos amigos (feitos no passeio), num pub irlandês, onde uma banda tocava lindas músicas ao som de flauta. Lindo. Futebol americano passando na TV, Budweiser e Stella por 7 dolares + taxas + gorjeta, e um papo gostoso, em inglês, até com os brasileiros. Ufa, cansei!

PS: Antes de ir para o passeio, não resisti e entrei na loja que inaugurou esta semana da Baked By Melissa, no Grand Central Station. Vou voltar rolando!!!!



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