Depois da despedida pra entrar no check in (que não foi fácil como já imaginava, mesmo eu tendo tentado esconder isso na hora), o vôo, a imigração, as bagagens e até o transfer não foram ruins. A sensação de estar sozinha nesses momentos foi bem tranquila e normal, a não ser pelo fato de não ter ninguém pra conversar.
Conversei um pouquinho com o cara do transfer. Cheguei no apartamento e o dono estava me esperando. Ele me mostrou tudo do apê, que é pequeno, mas não tanto quanto parece nas fotos. Tem uma cozinha com geladeira, microondas, forno, cafeteira, torradeira, e etc. Tem até uma mini varanda.
Durante estas 2 horas, fiquei sabendo da vida toda do Charles. Ele é um senhor de uns 70 anos, diretor de arte, já foi casado 2 vezes, mas não teve filhos. Veio pra NY há 50 anos, logo depois de formado. Quando ele tinha 50 anos, casou com uma mulher de 23, com quem ficou por 5 anos, porque ela trabalhava muito, ganhava muito bem, mas gastava mais do que ganhava. Ele tem uma fazenda, aonde fica atualmente, perto daqui. Me mostrou o galpão que reformou sozinho, as fotos dos carros antigos que tem e disse que a fazenda é a paixão dele. E que terminou com a última mulher porque ela pediu para ele vendê-la. Mas me mostrou a foto da mulher e disse que hoje ele se arrepende disso.
Quando conseguimos conectar, Charles se despediu e eu fui tomar um bom banho (com água quente! Ufa!) Botei um vestido, uma havaiana e fui dar um passeio.
E foi a partir desse momento, que entendi que o primeiro dia não seria tão fácil. A hora que imaginava que seria mais fácil, que era só estar comigo, foi mais dificil do que o resto.
Resolvi caminhar, caminhar e ver o que tinha por perto. Minha rua é uma das principais. É cheia de supermercados, farmácia, uma Vitoria Secret que tá em obra (quase pronta!), bancos, Fast foods e etc.
Fui andando, andando e cheguei no Metropolitan. O dia estava quente, então tinha muita gente sentada nas escadarias, tomando sorvete. Como não tinha almoçado, resolvi fazer um programa de new yorker no meu primeiro dia e fui numa barraquinha de hot dog, comprei e fui comer sentada nas escadas do MET. Fiquei um tempo ali observando as pessoas, incluindo um casal de noivos tirando fotos.
Saí dali e passei na loja de celular para tentar comprar um chip pro meu Blackberry e descobri que se comprar pré-pago só posso ligar, nada mais. Então será mais fácil comprar um telefone furreca por 20 dolares e colocar 50 dolares de carga, pois tenho internet ilimitada e sms ilimitado para os eua e mais 50 dolares de credito em ligações.
Depois fui para a casa da corretora para pagar a ela o restante do dinheiro do apartamento. E conheci a Dora, uma velhinha de uns 80 anos. A Dora me atendeu muito bem, pediu para eu sentar e falou que queria saber um pouco de mim. A Dora está com uma doença neuromotora que é degenerativa. Então há um ano ela vem perdendo a capacidade de andar, o lado direito do rosto está paralizando e já ta atingindo as cordas vocais. Foi uma conversa rápida, em português, mas gostei de tê-la conhecido.
Dora me indicou um dos supermercados, que acabou de abrir. Fui direto da casa dela e é realmente o máximo. Um hortifruti enoooorme, comidas prontas, semi-prontas, tudo, tudo, tudo. Um espetáculo! Comprei meu primeiro kit sobrevivencia, até entender como será meu dia-a-dia aqui: água, achocolatado light, pão, queijo brie, doritos, melancia cortadinha em cubinhos e 2 barras de chocolate = 23 dólares.
Vim pra casa e aqui fiquei. Estava muito cansada da viagem, então dormi um pouco. Acordei, tentei falar com a Mariana, pra ver se ela ia sair hoje a noite ou para marcar almoço amanhã. Ela combinou de jantarmos, mas depois desmarcou porque resolveu sair com um amigo, mas entendo! Ela nem me conhece!!!
Amanhã, fiquei de ligar pra ela quando acordasse. Parece que é dia de liquidação por ser feriado!
Agora são nove horas da noite. A TV não tá funcionando (o cara vem consertar na terça). Estou sozinha, num silencio, desde hoje a tarde, aqui no apê, quando fui decidi descansar. Como não saí com ela, resolvi ficar em casa até amanhã, porque meu bairro é residencial então não fica muita gente na rua (até agora não vi nenhum brasileiro, coisa estranha em NY), então preferi esperar até amanhã e conhece-lo mais de dia antes.
Já pensei milhares de vezes o que me fez decidir vir, o porque de tudo, que sou louca. Sei que hoje provavelmente vai ser o dia que mais vou pensar dessa forma e talvez seja o mais dificil, principalmente esta noite. Ficar sozinha, no silencio é mesmo muito dificil, principalmente pra mim que estou sempre com a tv ligada.
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